Setembro Amarelo é uma campanha brasileira de prevenção ao suicídio, iniciada em 2014. É uma iniciativa do Centro de Valorização da Vida, do Conselho Federal de Medicina e da Associação Brasileira de Psiquiatria

São registrados cerca de 12 mil suicídios todos os anos no Brasil e mais de 01 milhão no mundo. Trata-se de uma triste realidade, que registra cada vez mais casos, principalmente entre os jovens. Cerca de 96,8% dos casos de suicídio estavam relacionados a transtornos mentais. Em primeiro lugar está a depressão, seguida do transtorno bipolar e abuso de substâncias.

​Com o objetivo de prevenir e reduzir estes números a campanha Setembro Amarelo cresceu e hoje conquistamos o Brasil inteiro. Para isso, o apoio das nossas federadas, núcleos, associados e de toda a sociedade é fundamental.

​No Brasil, o suicídio também está entre as principais causas de morte entre jovens e adolescentes. De acordo com estudos realizados este ano, a taxa de suicídio de adolescentes aumentou 24% em cinco grandes cidades brasileiras (Porto Alegre, Salvador, Recife, São Paulo e Rio de Janeiro) e 13% no Brasil entre 2006 e 2015.

A psiquiatra do Hospital de Saúde Mental Professor Frota Pinto (HSM), Lívia Eugênio, especializada em Psiquiatria da Infância e Adolescência, explica que a causa é multifatorial.

“Podemos citar aspectos sociais como grandes desigualdades econômicas, desemprego, residência em área rural, residência em áreas pobres, discriminação de vários tipos, bullying, influências de mídias sociais, pobre suporte familiar, dificuldade de relacionamento com amigos, história de negligência, de violência física, sexual e psicológica, depressão, dependência química, quadros de psicose não tratados, transtornos de identidade de gênero e transtornos alimentares, além de fácil acesso a meios letais”, alerta.

A orientação é que os pais, familiares e amigos fiquem atentos aos sinais de sofrimento psíquico do adolescente ou jovem e busquem ajuda o mais rápido possível. A psiquiatra cita alguns sinais mais importantes e que devem ser observados. “O primeiro deles é o isolamento social. Eles se isolam dos amigos. Não é o passar mais tempo no quarto, pois essa atitude é comum nesta fase, mas o recusar situações sociais que antes gostava de fazer ou evitar contatos com amigos muito próximos”, explica a psiquiatra.

De acordo com a Dra. Lívia, há outros fatos que requerem atenção especial. “Postagens de imagens tristes ou abstratas ou de textos e poemas tristes; ouvir músicas que falam sobre suicídio; presença de lesões ou cicatrizes oriundas de autolesões, aquelas que são provocadas no próprio corpo; desenhos com aspecto triste ou de desesperança; conversas ou contextos de despedidas; não ter planos para o futuro ou referir o futuro como incerto; cartas de despedida; queda brusca do desempenho escolar; história prévia de ideias de morte ou suicídio; apatia e desesperança”, cita.

A família, a escola, os amigos e qualquer pessoa que conviva com um adolescente que apresente ideação suicida precisa estar atento e tentar manter um relacionamento de escuta e de compreensão, evitando o julgamento de qualquer natureza. Deve se posicionar como apoio e ajuda quando necessário, disponibilizar ajuda profissional o mais breve possível, evitando a evolução para casos mais graves. “Proporcionar uma boa rede de apoio e oportunidades de experiências de lazer entre pares são potencialmente benéficas para a saúde mental dos adolescentes”, enfatiza.o

Atendimento

O Núcleo de Atenção a Infância e Adolescência do HSM dispõe de um ambulatório para tratamento de crianças e adolescentes com transtornos de humor, o principal transtorno relacionado ao risco de suicídio, com avaliação e acompanhamento psiquiátrico e psicológico, bem como um ambulatório de acompanhamento das suas famílias. O atendimento é realizado após encaminhamento de outras unidades.

Serviços disponíveis:

Emergência 24 horas no Hospital de Saúde Mental Professor Frota Pinto (HSM) – Rua Vicente Nobre Macedo s/n, Messejana, Fortaleza/CE – Fone: (85) 3101-4348
PRAVIDA – (85) 98400-5672
Centro de Valorização da Vida (CVV) – 188

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